Bioeconomia

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As demandas urgentes da sociedade e a preocupação com o futuro do planeta têm movido o mercado em busca de soluções mais sustentáveis, sobretudo no que se refere às cadeias produtivas. 

E, nesse sentido, a bioeconomia torna-se um elemento fundamental para o desenvolvimento de modelos mais preocupados com o meio ambiente, os recursos naturais, a biodiversidade e as comunidades que os cercam.

Neste post, veja o que é bioeconomia, sua importância, o potencial do Brasil e o papel do empreendedorismo e da inovação para seu desenvolvimento. Acompanhe!

O que é bioeconomia?

Bioeconomia é uma área de estudo que propõe um novo modelo de produção baseado na oferta de soluções sustentáveis com o objetivo de criar relações mais harmônicas entre o desenvolvimento econômico e a preservação do meio ambiente.

Para isso, busca aliar os recursos naturais e os sistemas biológicos a novas tecnologias, possibilitando a criação de soluções mais sustentáveis que gerem impactos positivos não apenas na natureza, como também nas comunidades envolvidas e na sociedade como um todo. 

Nesse sentido, pode originar uma ampla gama de produtos e serviços, como fármacos, medicamentos e cosméticos de base natural, novas variedades de alimentos, bioplásticos, biocombustíveis, fontes de energia limpa, entre tantas outras possibilidades.

A bioeconomia relaciona-se diretamente com o conceito de economia verde. De acordo com a definição do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), a economia verde “aprimora o bem-estar humano e constrói equidade social, ao mesmo tempo reduzindo riscos e escassez ambiental”.

Assim, esse modelo trata de buscar uma alternativa ao modelo de produção vigente, reduzindo desigualdades, desperdício e escassez de recursos, além de graves consequências para o meio ambiente.

A floresta em pé e a bioeconomia

Uma das potencialidades da bioeconomia é o de gerar valor para a “floresta em pé”, por meio de empreendedorismo de impacto em escala, com o desenvolvimento de soluções que gerem valor direto e contribuam para a conservação de florestas.  

Para que seja possível explorar os recursos naturais e, ao mesmo tempo, manter a floresta em pé e promover a regeneração das áreas afetadas, a bioeconomia reúne conhecimentos de diferentes campos. A finalidade é tornar as cadeias produtivas e o processo de produção mais otimizado, potencializando a qualidade de vida local e a conservação dos biomas.

A importância da bioeconomia para o mundo

A bioeconomia apresenta-se como uma das mais importantes soluções para um dos problemas e uma das demandas mais urgentes do cenário atual: a preservação dos recursos naturais e a regeneração dos biomas.

O modelo atual de desenvolvimento econômico é altamente agressivo ao planeta, uma vez que se baseia na extração de recursos naturais em um ritmo insustentável, uma vez que são recursos não renováveis (finitos). Água, ar, solo, fauna, flora e minerais são vistos como meros instrumentos para gerar lucro e suprir as necessidades das populações.

Nesse contexto, a bioeconomia se apresenta como uma evolução do atual modelo de desenvolvimento, com soluções renováveis, limpas e sustentáveis, capazes de agregar valor aos produtos que dela derivam ao mesmo tempo que promove a redução dos males que o modelo atual causa ao planeta.

Dentre os benefícios da bioeconomia, podemos destacar:

  • Combate às mudanças climáticas 

Uma vez que prioriza fontes limpas de energia, a bioeconomia de maneira ampla se baseia em modelos de produção mais eficientes em relação a um dos pilares críticos das mudanças climáticas: as emissões de gases do efeito estufa.

  • Desacelera a perda de biodiversidade 

Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), se nada for feito, estima-se que haja uma perda de mais 10% na biodiversidade do planeta até 2050. A bioeconomia que gera valor para a floresta em pé potencializa impactos positivos da indústria para a fauna e flora, promovendo desenvolvimento sustentável.

  • Melhora o aproveitamento de resíduos 

Em sintonia com o conceito de economia circular, na bioeconomia os resíduos passam a ser vistos como material para a geração de novos insumos ou até mesmo de energia. Assim, reduz-se a quantidade de dejetos e cria-se uma fonte rica de matérias-primas.

  • Conciliar progresso e desenvolvimento social

Um dos pilares da bioeconomia é a territorialidade, criando valor para o desenvolvimento de comunidades das regiões em que os recursos são explorados, entendendo que elas são fundamentais para a conservação do meio ambiente.

Outro fator muito importante e que deve ser levado em consideração é a capacidade de atração de novos investimentos. Como comentamos, a bioeconomia atende às demandas mais urgentes do mercado e da sociedade, sobretudo no que se refere à conservação das florestas e na consolidação de uma economia de baixo carbono.

Dessa forma, esse modelo tem o potencial para atrair recursos que potencializam a geração de empregos, em um maior avanço tecnológico e no estímulo à inovação.

Para se ter uma ideia, de acordo com a OCDE, com dados relativos somente à União Europeia, a bioeconomia já movimenta 2 trilhões de euros e representa 9% dos empregos do bloco. E isso em um continente sem as proporções e sem a biodiversidade do Brasil.

Potencial do Brasil para a bioeconomia

Um dos países com maior biodiversidade do planeta, com alta disponibilidade de recursos hídricos e alta incidência solar, o Brasil tem potencial para se tornar um dos grandes líderes da bioeconomia. O Ministério do Meio Ambiente apontou que 20% do número total de espécies do planeta está no Brasil, boa parte delas na Amazônia.

Não à toa, essa floresta vem sendo foco de debates nacionais e internacionais, que destacam a importância da sua conservação. Além dos claros efeitos prejudiciais à natureza e à biodiversidade, o Brasil perde muitas oportunidades ao não investir em bioeconomia na Amazônia. 

Oportunidades que apareceriam na forma de investimentos, inovação e geração de empregos.

O potencial da floresta para gerar riquezas é enorme e se dá em diversos formatos. Da Amazônia são extraídos insumos que se transformam em alimentos e bebidas, cosméticos e fármacos, madeira e celulose, entre tantos outros produtos capazes de promover o desenvolvimento sustentável da região e de todo o país.

Para que possamos desenvolver projetos de bioeconomia lá, porém, é preciso investimentos e ações políticas relevantes que proponham alternativas que não se baseiem apenas no agronegócio de grãos e pecuária.

É necessário também criar um ambiente que fortaleça a economia de baixo carbono, onde a floresta não seja encarada como um entrave, e sim como um investimento atrativo com todas as suas oportunidades únicas em todo o mundo.

Felizmente, existem diversas iniciativas que buscam impulsionar a bioeconomia no Brasil, sobretudo na região amazônica. Os chamados valleys reúnem pequenas redes que se juntam para chamar a atenção de investidores para fortalecer a sua rede. Eles são indutores de inovação, que entendem a realidade da região e atuam com uma visão conciliadora e integradora.

Iniciativas como o Açaí Valley, no Pará, e o Tambaqui Valley, em Rondônia, buscam incentivar o empreendedorismo, a tecnologia e a inovação com o objetivo de desenvolver cada vez mais a comunidade local de startups, gerando negócios e oportunidades para todos.

O desafio é fortalecer esses ambientes de fomento à inovação e ao empreendedorismo de maneira integrada  gerando soluções que poderiam revolucionar a economia brasileira e a geração de valor para a floresta em pé.

Ecossistema de Empreendedorismo e Inovação de Impacto

Em meio a todo esse contexto de bioeconomia e de iniciativas voltadas para o desenvolvimento  sustentável de territórios, destaca-se a Jornada Amazônia. Esta iniciativa busca ampliar oportunidades de negócios com base na biodiversidade a partir de uma floresta que permanece de pé, viva, rica e preservada.

A partir do fomento ao empreendedorismo de impacto em escala na região e do estímulo a propostas inovadoras que geram valor econômico e socioambiental, a Jornada tem a intenção de criar uma visão integradora para todo o território amazônico. 

Como comentamos, já existem alguns ecossistemas de empreendedorismo e inovação de impacto locais. O que a iniciativa pretende é integrar e fortalecer essas ações em um grande Ecossistema de Inovação hiperconectado em todo o território amazônico que gera impactos positivos para a conservação da floresta.

Para que isso seja possível, a Jornada Amazônia busca despertar jovens talentos para o empreendedorismo, valorizando as oportunidades locais e fortalecendo a conexão entre a indústria e as cadeias sustentáveis e regenerativas da floresta.

A jornada empreendedora se divide basicamente em três momentos:

  • Ativação: a Jornada Amazônia acredita no potencial das novas gerações para o desenvolvimento da bioeconomia da Amazônia. Por isso, pretende despertar o espírito empreendedor dos jovens talentos locais para que ideias tomem forma, seja futuramente como um negócio ou mudando suas próprias realidades.
  • Originação: dentro deste momento, a Jornada vai estimular os empreendedores locais com ideias já formadas ou que tenham a necessidade de um aprimoramento, a convertê-las em novos negócios que possam criar impacto positivo para a floresta e comunidades associadas à Amazônia.
  • Evolução: é quando a jornada se aproxima de quem já possui um negócio e quer potencializar o seu desenvolvimento. Neste momento as parcerias, a conexão com mercado e o desenvolvimento de novas soluções e tecnologias são essenciais para ampliar as chances do seu negócio dar certo.

A CERTI atua como idealizadora e coordenadora da iniciativa Jornada Amazônia, assumindo o papel de conciliadora, integradora e ativadora desse meta-ecossistema de inovação das cadeias produtivas sustentáveis na Amazônia.

FONTE: https://certi.org.br/blog/o-que-e-bioeconomia/